A Paróquia

SSem Título-2obre a Paróquia

Chegaram de mansinho, apesar dos seus vozeirões, misturando o português com outras línguas, mas eram sempre compreendidos: eles falavam em nome de Deus. Seu grito de paz, nem sempre era o humilde “Deus vos abençoe”, mas um estimulante “Coragem, irmãos”. As batinas, só na hora da Missa. Hora de trabalho mais duro, roupa mais leve. Andar a pé, só se não houvesse uma motocicleta ou um carro disponível: socorro espiritual ou material tem que chegar logo. Os Padres Franciscanos vivem uma realidade incrível. Sua representação em Belém começou através de Frei Tadeu Prost. OFM., com a ajuda dos Irmãos Maristas do Colégio Nazaré, onde ele morou inicialmente e serviu de capelão. Mas a necessidade crescia no sentido de precisar realizar mais. Logo após a Revolta de Jacareacanga, no dia 29 de fevereiro de 1956, foi então “plantada a semente” com a chegada de Frei Tadeu.

Jovelino Coimbra e Aldebaro Klautau, sentindo a força espiritual dos Franciscanos, dispuseram-se a ajudar Frei Tadeu e já no dia 24 de junho de 1957, eles estavam de posse da casa onde anteriormente
funcionara o Serviço Nacional de Malária. A mudança, limpeza e pintura estenderam-se até o dia 24 de dezembro do mesmo ano, quando os padres começaram realmente a residir lá. A Primeira Missa foi celebrada no dia de Natal e a bênção oficial da casa foi feita na data de 6 de fevereiro de 1958. As salas da frente, onde eram rezadas as missas dominicais para os moradores das redondezas, logo ficaram pequenas. Em 6 de janeiro de 1959 foi lançada a pedra fundamental e tiveram logo inicio os trabalhos para a construção da capela atual de Santo Antônio de Lisboa, sob a responsabilidade do engenheiro Alcyr Meira, com orientação de Frei Francisco Gonser e Frei Vianney Miller, substitutos de Frei Tadeu Prost que gozava férias nos Estados Unidos.

A nova capela foi inaugurada no dia de Natal de 1959. Não era ainda Capela Paroquial e durante 10 anos serviu como capela auxiliar para a missa dominical, sem obrigações paroquiais. Durante esse tempo, a casa servia como lugar de procuração e representação dos Padres Franciscanos do Rio Tapajós e também moradia para os Freis que passavam por Belém, em trânsito, Em 1º de novembro de 1962, Frei Tadeu foi sagrado Bispo Auxiliar de Belém, mas continuou morando na casa de Batista Campos, Frei Gregório Kemner veio substituí-lo como procurador.

Até março de 1969 por aqui passaram: Freis Hilário Lange, Eduardo Buranich, Vicente Fuerst, Nestor Windolph, Lourenço Leenerts, Vitorino Mocka, Alvino Wesoloski e Frederico Feldhage. No dia 30 de março de 1969 a capela foi transformada em sede da nova Paróquia de Santo Antônio de Lisboa, pelo Diário Oficial. Logo após, em 19 de abril, Frei Lourenço Leenerts foi empossado como o primeiro vigário paroquial, em cerimônia solene antes da Missa Dominical, Vieram como cooperadores, até 1975, Frei Vicente Fuerst, Frei Paulo Felthage e Frei Bartolomeu Korn. Este último dirigiu a paróquia sozinho, tendo como procurador Frei Alvino Wesoloski, e em outubro de 1975 Frei Bartolomeu foi transferido para Santarém, vindo para Belém os Freis Pedro Amen e Vianney Miller que, juntamente com Frei Alvino, passaram a responder pela Paróquia.

O Centrão
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Na celebração eucarística realizada no Centrão, dia 07 do corrente, Frei Gregório Joeright anunciou o início da construção da Igreja Matriz da Paróquia de Santo Antônio de Lisboa, dizendo que haverá de abrigar uma Igreja viva, em permanente construção. A missa a muitos reuniu, tendo ao final sido apresentada a Comissão de Assuntos Econômicos, o arquiteto, trabalhadores e engenheiros, encarregados do planejamento e execução da obra. Terminada a celebração, eis que aquela senhora já de avançada idade mas passos firmes, se deslocava em direção à saída. Seu olhar como que perscrutavao horizonte em busca das lembranças de momentos ali vividos durante muitos anos, ao lado do marido, Eng° Cândido Araújo, o incansável construtor do Centrão, também partícipe de uma “Igreja viva”, que ajudou a construir. Era Dona Paula Araújo.

Apoiado na engenharia de restauração de João Bosco lúdice, que levantou a história da Paróquia, o articulista quer dividir com o leitor desde quando tudo começou. O terreno, com 3.200 m², sito à Rua São Miguel esquina com Travessa Doutor Moraes, foi obtido por doação em 1971, gesto solidário do Sr. Manoel Barros da Silva, português há muitos dente em Belém. No ano seguinte foi construído o “CENTRINHO” modesto salão de madeira coberto com telhas de barro, já tendo como Pároco Frei Vianney Miller desde 1975, e Frei Pedro Amen como vigário, a comunidade deliberou pela necessidade de um complexo paroquial, iniciando com a construção de um grande ginásio coberto. Para tanto, o terreno então disponível, foi ampliado com a aquisição e demolição de 13 pequenas casas nas adjacências. O Centrinho também foi demolido, depois reconstruído ao lado da nova construção.

João Bosco lúdice lembra as “campanhas memoráveis” para a construção do Centrão. Em 1977 iniciaramse os trabalhos preliminares com a sondagem do solo, feita pela Pró-solos, dos engenheiros Nagib Charone Filho, José Otávio Figueiredo e Domingos Acatauassú, ficando recomendado a cravação de estacas de madeira na profundidade de 14 metros. O cálculo estrutural foi elaborado pelos engenheiros Dorival Pinheiro, Franco Sério Filho, e arquiteto Reinaldo Jansen, sendo a estrutura metálica da cobertura, executada pela empresa do engenheiro Enéas Vieira. A condução da obra ficou a cargo do Dr. Cândido Araújo, assistido pelo Eng° Alcides Simões. No dia 10 de Junho de 1979 o Centrão estava estruturado e coberto, com 1.700 m² de área construída. A primeira etapa havia sido vencida.

Seguiram-se a execução das paredes de vedação e obras complementares, como as dependências para sacristia, cozinha, e sanitários. Estão aí paroquianos que podem testemunhar os tempos em que participavam da missa, quando o piso se constituía de uma fina camada de cimentado sobre o aterro de piçarra. Mesmo com obras em andamento, o Centrão sempre foi o centro das atividades paroquiais. Seu amplo espaço vem abrigando as celebrações eucarísticas, o arraial de Santo Antônio, o tradicional Jantar Luso-Brasileiro, bailes em homenagem às mães, e reuniões simultâneas dos vários grupos de pastorais. O Centrão é o local onde todos se encontram, sejam moradores da baixada, ou da praça, sinal de fraternidade cristã. O CENTRÃO Ivens Coimbra Brandão “

A Voz de Nazaré”(19/03/04)