Palavra do Frei › 12/03/2019

Quaresma: Tempo forte de conversão

Na quarta-feira de cinzas, dia 06 de março, iniciamos o tempo litúrgico da Quaresma. Trata-se de um tempo forte do nosso ano litúrgico, que nos convoca a um esforço especial de penitência e conversão do coração, mediante às praticas do jejum, da caridade e da oração intensas. Um tempo favorável para a reconciliação e preparação para a celebração do maior mistério da fé cristã: a paixão, morte e ressurreição de Jesus, a Páscoa de Cristo e a nossa Páscoa. A Páscoa da Ressurreição, o ponto mais alto do ponto litúrgico.

Converter-se, fazer penitência, reconciliar-se com Deus e com os irmãos e irmãs significa reconhecer que somos pecadores, nos afastamos de Deus e do próximo e estamos necessitados de retornar para o nosso Criador e restabelecer a harmonia nas relações com as pessoas e com o mundo ao nosso redor. Na liturgia da palavra da quarta-feira de cinzas, Deus nos convidava através de Jesus no Evangelho, do profeta Joel e do apóstolo Paulo a fazer um verdadeiro caminho de conversão, transformando-nos a partir do nosso coração, de nossa interioridade. Um chamado à reconciliação e à conversão, na busca sincera de superação de toda hipocrisia e de toda incoerência que pode nos fazer viver uma religiosidade ambígua e de fachada. Em suma, Deus nos chama a ser verdadeiros, coerentes, sem contradições entre a nossa fé e a nossa vida. Sem dúvida, um desafio permanente para todos nós! O tempo da Quaresma nos provoca a propósitos de penitência e mudança de vida.

Em sua mensagem para esta Quaresma, o Papa Francisco lembrava que a Quaresma “chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola. Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de “devorar” tudo para satisfazer a nossa voracidade, à nossa capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e a autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos, com a ilusão de assegurarmos um futuro que não nos pertence. E, assim, reencontrar a alegria do projeto que Deus colocou na criação e no nosso coração: o projeto de amá-Lo a Ele, aos nossos irmãos e ao mundo inteiro, encontrando nesse amor a verdadeira felicidade. Queridos irmãos e irmãs, a <<quaresma>> do filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens (cf. Mc 1,12-13; Is 51,3)”. Em seguida, o Papa nos exorta para que não deixemos que passe em vão este tempo favorável e façamos um caminho de verdadeira conversão.

Queridos irmãos e irmãs, abandonemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e voltemos nossos olhos e nosso coração para a Páscoa de Jesus, lá no alto deste caminho quaresmal. “Façamo-nos próximos dos irmãos e irmãs em dificuldades, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais. Assim, acolhendo em nossa vida concreta a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, atrairemos também sobre a criação a sua força transformadora.” (Papa Francisco, 04/10/2018).

Qual é o seu propósito de penitência nesta Quaresma? Já fez o seu?

Desejo uma santa Quaresma para todos. 

Frei Edilson Rocha, OFM

 

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