Palavra do Frei › 01/08/2015

XVIII Domingo do tempo comum – ano B

O pao da vida A pedagogia de Jesus No final da narrativa do domingo passado lemos que quando Jesus “percebeu que as pessoas iam pegá-lo para fazê-lo rei retirou-se sozinho, de novo, para a montanha” (Jo 6, 14-15). Hoje a Igreja oferece-nos uma introdução do discurso de Jesus sobre o Pão de Vida. Mas antes de entrar nele, o evangelista quer preparar o coração de seus ouvintes para acolhê-lo, e o consegue: no final do diálogo com Jesus, os judeus terminam suplicando: "Senhor, dá-nos sempre desse pão". As perguntas e respostas que se sucedem neste encontro mostram as tensões que vivia a comunidade cristã com os judeus. Estes últimos são apresentados como resistentes ao projeto cristão, presos em coisas materiais e preocupados com a lei de Moises. A proposta de Jesus, o Pão vivo, descido do céu, não só supera estas duas realidades, mas é uma revolução total! Por isso, é necessário que, como bom Mestre, assim como fez com a mulher samaritana (Jo 4, 7-15), conduza o diálogo com seus interlocutores, acompanhando-os para quebrar suas falsas seguranças e acordar neles/as a sede de eternidade. A pedagogia de Jesus no quarto evangelho mostra-se, a partir de uma realidade terrestre ambígua, para revelar-se a si mesmo como o dom de Deus. Para acolher este dom, que é Sua pessoa, só faz falta acreditar nele: «A obra de Deus é que vocês acreditem naquele que ele enviou». Aqui está o centro do evangelho de hoje, e no qual se joga quase todo o evangelho de João: fé e incredulidade. É por isso que esta frase de Jesus é colocada no centro do texto, no meio das duas contraposições: pão material - pão da vida; maná dado por Moises - maná dado por Deus. Nesses diálogos, Jesus vai purificando a fé de seus seguidores. Em um primeiro momento, a multidão o segue pelo pão material, para saciar sua fome. E Jesus é bem claro, não é para segui-Lo por interesse! Não vale a pena investir a vida em coisas que terminam, e exorta-os a trabalhar "pelo alimento que dura para a vida eterna". E depois se apresenta: "É este alimento que o Filho do Homem dará a vocês, porque foi ele quem Deus Pai marcou com seu selo". Mas ainda não é suficiente para eles: "Que sinal realizas para que possamos ver e acreditar em ti? Qual é a tua obra?". Aqui se mostra, por um lado, a preocupação dos judeus pela lei, e por outro, seu fechamento à novidade de Deus. Recolher o maná, no deserto era uma obra mandada por Deus (Ex 16,4). Eles estão procurando mais uma obra assim, e Jesus disse-lhes que a obra do Pai é acreditar no Filho, mas eles pedem um sinal como o de Moises. Jesus relativiza o sistema mosaico, respondendo que o sinal era de Deus, não de Moises! E esse mesmo Deus lhes oferece agora algo maior que um sinal, oferece-lhes seu próprio Filho, o Pão descido do céu que dá vida ao mundo. E a multidão que foi atrás de Jesus sem saber muito quem era Ele, depois deste diálogo "catequético" termina suplicando: «Senhor, dá-nos sempre desse pão». Hoje precisamos deixar-nos instruir por Jesus, ir ao seu encontro com nossas carências e correntes, permitindo que Ele nos guie no caminho de um conhecimento maior de sua Pessoa e proposta de vida para assim viver a vida, e vida em abundância. Fonte: IHU online – 01/08/2015

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