artigos › 14/11/2017

Prática dos dons

O termo “dom” significa uma virtude doada de graça, de forma desinteressada, com a finalidade de construir o bem. Todas as pessoas já nascem com determinadas qualidades, que podem e devem ser aperfeiçoadas e colocadas para realizar coisas boas, mas também, para maquinar atitudes de destruição e de maldade. Talvez o ambiente de convivência possa direcionar a prática das virtudes.

Existe muito acomodamento de pessoas privilegiadas de dons naturais, mas totalmente improdutivas. Realizam aquilo que Jesus proclama no Evangelho, isto é, talentos que ficam escondidos debaixo da terra. São os chamados cristãos que não se preocupam com a construção do Reino de Deus. Deixam-se levar pelo desânimo e pelos problemas que devem ser enfrentados com coragem.

Existem pessoas construtoras do bem, que olham para o futuro com esperança e investem, com determinação, no que podem para construir a vida de forma saudável. O bem da sociedade é de responsabilidade de todos os seus membros, cada um com suas possibilidades, mas precisam agir. Esconder os dons é dificultar a outros a realização do verdadeiro sentido da vida com dignidade.

Fazer render os próprios dons, os talentos, é ser capaz de desenvolver as capacidades humanas com objetivos claros na realização de uma sociedade fraterna. Isso facilita os compromissos com a partilha e a soma das riquezas presentes na vida de uma comunidade. O contrário disso, o medo, o comodismo, o fechamento, não ajuda, e prejudica aos que deveriam ser beneficiados.

Na verdade, temos capacidade para construir e para destruir os instrumentos da vida. Ao dizer, “dominai a terra”, o Criador revela o desejo de que a criação fosse aperfeiçoada pelas pessoas. Para isso, Ele qualificou com dons diferentes para cada uma. Muitas utilizam suas capacidades para desconstruir e causar sofrimento aos demais. Tornam-se afronta para quem espera uma vida feliz.

A vida é marcada por surpresas, às vezes agradáveis, mas também com grandes sofrimentos. Na visão cristã, a base está na prática do amor, na fraternidade e no bem das pessoas. Saindo do comodismo podemos gerar uma cultura de mais estabilidade e conforto para todos. Não podemos ficar na insegurança, no medo e na desconstrução daquilo que permite o espaço da vida.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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